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Cefaleias: como afetam as mulheres?

Cefaleia é o termo clínico para designar dor de cabeça.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as cefaleias caracterizadas por dores de cabeça recorrentes, são uma das doenças mais comuns do sistema nervoso e a terceira causa de incapacidade a nível mundial.


É uma das queixas mais recorrentes na prática clínica e o principal motivo de procura de uma consulta de Neurologia. Estima-se que, 90% da população já teve ou ainda virá a ter algum episódio de cefaleia.


A terceira edição da Classificação Internacional de Cefaleias define a cefaleia como sendo uma dor localizada ao nível da cabeça, acima da linha orbital e/ou nucal (ICHD-3, 2018). Esta classificação hierarquiza todos os tipos de cefaleias e estabelece critérios definidos que permitem o seu diagnóstico. Dividem-se em cefaleias primárias, que não possuem uma etiologia definida (como a cefaleia tensional e a enxaqueca) e cefaleias secundárias, que possuem uma causa conhecida para o seu aparecimento (como a cefaleia cervicogénica, que tem a sua origem na região cervical).


A prevalência da enxaqueca, a nível mundial, é de aproximadamente 6% nos homens e 15% a 18% em mulheres adultas. Já a prevalência da cefaleia do tipo tensional é de 67% nos homens e de 90% nas mulheres (Macedo et al., 2007).


Vários estudos apontam uma maior incidência de cefaleias em mulheres, em função do sistema límbico feminino, influenciado por duas hormonas, estrogénio e progesterona. Macedo e colaboradores verificaram essa relação hormonal em 44% das mulheres do seu estudo, que relataram aumento da cefaleia no período menstrual. Este facto é confirmado pela restante literatura, que indica a existência de crises de cefaleia em 40% a 50% das mulheres, antes, durante ou logo após a menstruação (Macedo et al., 2007).


Sabe-se também que a menopausa agrava a cefaleia do tipo tensional em 70% das pacientes, com um aumento da frequência das crises, da severidade da dor e da sua duração (Macedo et al., 2007).


A qualidade de vida é seriamente comprometida. A mulher depara-se com diversas alterações físicas que, por si só, geram stress, dor, alterações fasciais e musculares, restrições articulares, desconforto geral e fadiga. Afeta, desta forma, a sua saúde mental e as relações sociais, familiares e laborais.


Os diversos tipos de cefaleias são, por norma, tratados primariamente através de métodos farmacológicos analgésicos. Contudo, é cada vez mais comum que existam pacientes que não tolerem a ingestão de fármacos por conta dos efeitos colaterais e contraindicações dos mesmos.


Ainda que não seja amplamente divulgada nos serviços de saúde, a fisioterapia pode ser indicada como alternativa de baixo risco e sem efeitos adversos para o tratamento das cefaleias.


Vários estudos concluíram que a terapia manual, com manobras cranianas e cervicais, apresentou eficácia no tratamento de mulheres com cefaleia crónica, demonstrando um efeito positivo na intensidade, frequência e duração da dor (Bevilaqua-Grossi et al., 2016).


Foi possível ainda constatar a efetividade da atuação da fisioterapia, no sentido de garantir efeitos positivos ao nível da qualidade de vida dos indivíduos, favorecendo o bem-estar e o retorno às atividades diárias acometidas pela condição (Bevilaqua-Grossi et al., 2016).


Fontes:

- Bevilaqua-Grossi, D., Gonçalves, M. C., Carvalho, G. F., Florencio, L. L., Dach, F., Speciali, J. G., Bigal, M. E., Chaves, T. C. (2016). Additional Effects of a Physical Therapy Protocol on Headache Frequency, Pressure Pain Threshold, and Improvement Perception in Patients With Migraine and Associated Neck Pain: A Randomized Controlled Trial. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation; 97(6): 866-874. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.apmr.2015.12.006

- Headache Classification Committee of the International Headache Society (2018). The International Classification of Headache Disorders, 3rd Editions. Cephalalgia 38(1): 1–211. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0333102417738202

- Macedo, C. S. G., Cardoso, J. R., Prado, F. M., Carvalho, P. G. (2007). Eficácia da terapia manual craniana em mulheres com cefaleia. Fisioterapia e Pesquisa; 14 (2): 14-20. Disponível em: https://doi.org/10.1590/fpusp.v14i2.75781


Mónica Calha, Fisioterapeuta SH2Me Medicina Integrativa


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