A depressão é uma perturbação que pode ser acompanhada de alterações cognitivas.

Investigações clínicas têm explorado a função neuropsicológica de pacientes deprimidos há pelo menos duas décadas. No entanto, pouco se sabe sobre a especificidade dos distúrbios cognitivos nestes quadros. A dificuldade observada no desempenho cognitivo de pessoas com depressão é também critério para o diagnóstico de quadros em que lesões ou disfunções cerebrais estejam em jogo. Desta forma, é importante reconhecer o perfil cognitivo tanto quantitativo quanto qualitativo da depressão e tentar traçar a partir daí a sua neuroanatomia funcional e reconhecer os seus subtipos (unipolar, bipolar, primária ou secundária).
Existem evidências que sugerem a presença de défices neuropsicológicos associados ao Episódio Depressivo Maior. Observa-se que esses défices se apresentam de forma ampla e tendem a incluir dificuldades envolvendo a sustentação da atenção, função executiva, velocidade psicomotora, raciocínio não verbal e novas aprendizagens. Contudo, a disfunção neurocomportamental associada ao Transtorno Depressivo Maior parece depender de diferenças individuais.
Na avaliação neuropsicológica de pacientes deprimidos, os domínios cognitivos mais afetados são: evocação após intervalo de tempo, aquisição da memória, atenção, concentração, flexibilidade cognitiva e abstração. Entretanto, é importante ressalvar que nem todos os pacientes deprimidos apresentam estes défices. Estudos demonstraram que os défices de memória associados à depressão são similares aos de pacientes com disfunção subcortical (por exemplo, doença de Hungtington). Vários estudos evidenciam que os défices de memória estão diretamente relacionados à depressão em idosos, principalmente em pacientes com história crónica e recorrente de episódios de depressão.
A atenção é uma das principais funções da cognição estudadas nos processos depressivos, talvez pela facilidade com que é avaliada a sua alteração que pode ser observada mesmo no exame clínico superficial. Outro fator fundamental para o desempenho do paciente com depressão é o seu nível de motivação, fator psicológico que interfere no funcionamento cognitivo e comportamental desses indivíduos.
Os estudos neuropsicológicos com deprimidos apontam para alterações na aquisição da memória, atenção, concentração, flexibilidade cognitiva e abstração. Quanto aos estudos de neuroimagem, há evidências para hipofrontalidade, disfunção do giro do cíngulo anterior e aumento de ventrículos em sujeitos idosos. É importante ressalvar a necessidade de mais estudos para o melhor entendimento do processamento cognitivo e as suas correlações neuroanatomofuncionais.
Drª Sofia de Matos Silva, Neuropsicóloga SH2Me Medicina Integrativa
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