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O Verão e as Sensações

Em pleno Verão, nada melhor que ir até à praia para refrescar, mas sempre em segurança! Aquilo que partilhamos convosco hoje são algumas estratégias para aproveitar a praia como um recurso para a brincadeira e para promover o desenvolvimento infantil.



A praia é um local muito rico em estímulos sensoriais, que proporcionará às crianças uma experiência muito rica e que, com certeza, contribuirá para a aquisição de algumas competências/habilidades.


Quando fazemos referência aos estímulos sensoriais que a praia nos oferece, temos de falar obrigatoriamente da areia, da água, das Bolas de Berlim,… Partilhamos convosco algumas estratégias para estimular os sistemas sensórias das suas crianças!


Com a areia podemos fazer muitas brincadeiras, desde enterrar os pés, construir castelos ou até ficarmos uns "croquetes"! Todas estas atividades estimulam o sistema tátil, aquele que é responsável pela interpretação do toque, pela exploração deste mundo que nos rodeia...


**Enterrar os pés na areia:** O contacto com a areia deverá sempre ser feito com à medida da tolerância da criança a esse estímulo tátil. O estímulo tátil profundo poderá ser facilitador para a criança, por isso experimente fazer um pouco de pressão ao enterrar os pés da criança. Enterre também os seus pés e a partir daí poderá desenvolver inúmeras brincadeiras, onde a areia poderá deixar de ser um problema.


**Construir castelos:** Quando o contacto com a areia é permitido pela criança podemos começar a estimular outras competências como as motoras e de praxis (idealizar, planear e executar). Através das construções na areia, a criança irá desenvolver competências motoras (pois o movimento e a manipulação estão inerentes a esta atividade) e de praxis (onde a criança terá de pensar naquilo que quer construir na areia, como o irá fazer e fazer).


**Rolar na areia:** Aqui são estimulados o sistema tátil, o vestibular, o propriocetivo e o visual. Enquanto rola na areia a criança está em contacto com esta textura (tátil), está em movimento (vestibular), tem uma perceção do seu corpo (propriocetivo) e tem informação visual muito diferente, pois a imagem à sua volta está sempre a mudar.


No que diz respeito à água, não existe praia sem a água salgada, sem as ondas do mar, sem todas as brincadeiras que temos dentro de água. A água acaba por nos fornecer um conjunto muito grande de estímulos sensoriais… Se está fria ou quente… O contacto com a pele… O mexer do nosso corpo, provocado pela agitação do mar… O som do mar…

Quem nunca saltou sobre a água do mar quando esta chega à areia? Quem nunca esperou sentado na areia pela água? Quem nunca provou a água salgada (nem que seja pelo “pirolito” que não era suposto acontecer)?


**Saltar sobre a água:** Esta atividade estimula o sistema tátil quando sentimos a água nos nossos pés, após a aterragem. Estimula o sistema vestibular quando estamos em movimento, durante o salto. Estimula o sistema propriocetivo quando aterramos e sentimos todo o nosso corpo, desde os pés à cabeça. Ajuda-nos a desenvolver competências de praxis (“Vou saltar sobre a água, como é que eu vou fazer?”; “Vou saltar antes que a água toque nos meus pés e vou aterrar sobre a água!”; “Já está! Que bom!”) e competências motoras.


**Esperar pelas ondas do mar:** Autorregulação! É a palavra chave para esta atividade! Quando a criança está sentada na areia à espera das ondas do mar, ela consegue antecipar o acontecimento (ela consegue perceber que a água se aproxima, que lhe vai tocar primeiro nos pés e que depois irá subir, tal como acontece na areia). Aprende a esperar pela água, aprende a adotar mecanismos adaptados à circunstância para que possa vivenciar esta experiência, tal como deseja. Esta atividade é, ainda, responsável pelo aumenta da consciência corporal.


**Saborear água salgada:** Aqui estimulamos o paladar! Para percecionarmos determinado recurso que temos à nossa frente necessitamos de o conhecer e para que o nosso cérebro tenha informação suficiente sobre esse recurso necessitamos de o explorar ao máximo. Posto isto, o facto de a água ser salgada vai ser mais uma informação sobre a água do mar que ficará registada para que possamos atribuir mais uma caraterística a esta água que é tão diferente daquela que estamos habituados a utilizar no nosso dia a dia.


Bolas de Berlim, o doce que só sabe bem no Verão e, principalmente, na praia. O nosso ouvido fica alerta quando ouvimos alguém gritar: "Olha a bolinhaaa! Com creme, sem creme e de chocolate!". É ou não é verdade?! Mas agora perguntam: Porque é que a Bola de Berlim é importante para o desenvolvimento infantil? Ainda por cima é um doce, não são aconselhados do ponto de vista nutricional!

Na verdade não é bem a Bola de Berlim que é importante para o desenvolvimento infantil, mas sim todas as sensações lhe estão inerentes. A Bola de Berlim estimula o paladar (trabalhamos mais um sistema sensorial: o saborear é importante para conhecermos o objeto que temos à nossa frente) e o sistema tátil (o açúcar que está à volta da Bola de Berlim, o creme que sai e fica nos nossos dedos,...). Contudo, um dos fatores que também é muito importante é a boa companhia que temos para partilhar este momento. Daí muitas vezes ouvirmos, "as Bolas de Berlim são boas, mas na praia sabem muito melhor". Na praia é criado o contexto perfeito para disfrutar de uma boa Bola de Berlim: descanso, som do mar, estamos acompanhados de pessoas que nos são queridas, liberdade,... Pedimos para que tenham atenção, não exagerem nos doces com os mais pequeninos! Tudo na vida, para ser apreciado, deve ter conta, peso e medida!


É importante referir que as sensações, os nossos sistemas sensoriais, são o primeiro recetor de informação que temos, é importante trabalhar os mesmos para que estes contribuam para o progresso de todas as competências necessárias para o desenvolvimento infantil.

Aproveitem este parque de diversões natural que são as nossas praias com os mais pequeninos, mas sempre em segurança!


Caso pretenda saber mais sobre como estimular os sistemas sensoriais, a nossa terapeuta ocupacional poderá dar-lhe mais algumas estratégias, não hesite em contactar a SH2Me.


Rosa Nunes, Terapeuta Ocupacional SH2Me Medicina Integrativa



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