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A intervenção da Fisioterapia na Paralisia Facial Periférica

Nos dias de hoje, a estética tem um peso cada vez maior na forma como cada indivíduo se sente consigo e aos olhos da sociedade.


A Paralisia Facial Periférica (PFP), resultante da lesão do nervo facial, é a patologia mais comum associada a lesão dos nervos cranianos e pode deixar sequelas estéticas e funcionais importantes no paciente.


O nervo facial é predominantemente um nervo motor, sendo responsável pela inervação de todos os músculos envolvidos na expressão facial. Apresenta ainda uma função sensitiva, relacionada com a perceção do paladar, assim como uma componente autónoma, através da inervação das glândulas lacrimais e salivares.


A PFP pode ser classificada como primária (habitualmente conhecida por Paralisia de Bell ou idiopática) ou secundária a outras patologias subjacentes, entre as quais doenças metabólicas, doenças infeciosas, traumatismos, neoplasias, doenças autoimunes, entre outras. A etiologia mais comum é a primária, correspondendo a cerca de 75% dos casos (Matos, 2011).


A incidência apresenta-se em dois picos etários, dos 30 aos 50 anos e dos 60 aos 70 anos. Manifesta-se em ambos os sexos e não se verifica um predomínio quanto à hemiface afetada (Matos, 2011).


Na sua forma mais comum, o quadro clínico pode apresentar um agravamento nas primeiras 48 horas e caracteriza-se por grande variabilidade entre os indivíduos, uma vez que a sintomatologia depende da localização e da extensão da lesão no nervo facial (Finsterer, 2008).


Clinicamente, caracteriza-se pela presença de sinais de diminuição da força muscular facial, tipicamente unilateral, levando a alterações como: diminuição ou ausência de rugas na região frontal, dificuldade ou incapacidade de franzir a sobrancelha, dificuldade ou incapacidade de fechar o olho, contração diminuída do músculo orbicular das pálpebras, rotação do globo ocular para cima quando o olho é fechado, dificuldade ou incapacidade de mobilizar a comissura labial e não elevação da asa do nariz com a inspiração. Podem ainda ocorrer alterações do paladar, hiper ou hipo-salivação, hiperacúsia (dificuldade em tolerar os sons do dia a dia), dor no ouvido do lado afetado e diminuição da sensibilidade (Matos, 2011).


Quanto ao prognóstico, cerca de 80 a 85% dos doentes têm recuperação completa em três meses, sendo que 15 a 20% ficam com sequelas permanentes, 5% dos quais graves (Finsterer, 2008).


O tratamento da PFP envolve, geralmente, terapêutica farmacológica, cuidados oculares, tratamento de reabilitação com Fisioterapia e Terapia da Fala e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.


A Fisioterapia irá atuar na base da reeducação neuromuscular, tendo como objetivo melhorar a força muscular, melhorar o controlo dos movimentos da face e diminuir a atividade muscular anormal. A intervenção pode ocorrer em diferentes fases da evolução da doença e é ajustada aos sinais e sintomas específicos de cada doente. Para além do papel inquestionável na manutenção da qualidade dos músculos do lado paralisado, destaca-se ainda a importância na prevenção de contrações excessivas dos músculos do lado da face não afetado.


Os músculos faciais têm uma capacidade limitada de proporcionar feedback, pois têm poucos recetores intrínsecos que possam facultar informação propriocetiva ao Sistema Nervoso Central. A reeducação neuromuscular assistida pelo feedback do espelho ou pelo eletromiograma (EMG) de superfície está associado a melhores resultados do que o tratamento tradicional (através de repetições de expressões faciais comuns, massagem e eletroterapia) (Matos, 2011).


A atuação da Fisioterapia é indispensável no tratamento de pacientes acometidos por PFP, não só para restabelecer a simetria facial e a funcionalidade, mas também para colmatar os problemas sociais e psicológicos, como a baixa autoestima, depressão, ansiedade e isolamento social, decorrentes frequentemente após esta patologia.


Fonte:

- Finsterer, J. (2008). Management of peripheral facial nerve palsy. Eur Arch Otorhinolaryngol; 265: 743-752. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00405-008-0646-4

- Matos, C. (2011). Paralisia facial periférica: o papel da Medicina Física e de Reabilitação. Acta Med Port.; 24(S4): 907–914. Disponível em: https://actamedicaportuguesa.com/


Mónica Calha, Fisioterapeuta SH2Me Medicina Integrativa


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