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A Limitação Funcional e o Défice Cognitivo

A limitação funcional (a dependência de terceiros) é muitas vezes associada ao défice cognitivo, principalmente na população idosa, potenciando bastante esta associação quando existe uma hospitalização ou institucionalização.



O envelhecimento da população em geral é um fenómeno que faz parte da nossa atualidade e devemos dedicarmo-nos mais a este assunto, pois as disfunções inerentes a esta população começam a aparecer com mais frequência e devemos de estar preparados para agir perante as mesmas. À medida que esse envelhecimento vai acontecendo, obrigatoriamente, começam a evidenciar-se algumas alterações biológicas. Essas alterações biológicas/descompensação do quadro clínico do cliente, quando ocorrem, levam muitas vezes a hospitalizações/institucionalizações. Neste momento, o conhecimento empírico e a evidência científica demonstram que a pessoa idosa com uma hospitalização aumenta a probabilidade de acentuar possíveis défices cognitivos. No entanto, o fator que se desconhecia era o principal motivo para que esse declínio cognitivo acontecesse. Alguns estudos atuais, tentam demonstrar que inerente a uma hospitalização/institucionalização existe uma limitação funcional devido à agudização da doença (necessidade de estar acamado/restrito à sua cama) ou devido ao facto de estar num contexto físico onde não é possível estabelecer a sua rotina diária e consequentes atividades que realizava no seu quotidiano. Essa limitação funcional (que muitas vezes é imposta pelo contexto e não se traduz numa limitação física), altera a dinâmica desenvolvida pela pessoa no seu dia a dia, o que gera alterações no seu processamento e armazenamento de informação. Estas alterações quando mantidas por algum tempo traduzem-se, inevitavelmente, em défice cognitivo.


É, culturalmente, aceite por todos nós que quando estamos doentes os outros devem fazer por nós aquilo que não conseguimos no momento. Contudo, em situação de doença o cuidador presta o cuidado necessário ao doente e, ainda, realiza atividades que este consegue fazer, na tentativa de fornecer bem-estar ao mesmo. É urgente começarmos a proceder de forma diferente no que diz respeito à nossa independência. Num ambiente hospitalar, não podemos permitir que os pacientes estejam limitados ao uso de uma cama. Numa Estrutura Residencial para Idosos, não podemos permitir que os idosos estejam todo o dia sentados a olhar para uma televisão. Sei que, muitas vezes, a falta de recursos humanos é identificada como o principal motivo para que estas situações aconteçam. No entanto, cabe a cada um de nós agirmos de forma diferente quando temos oportunidade para o fazer. Trouxe-vos este tema para que haja espaço para este debate, para que comecemos a associar que o facto de nos mantermos ativos por mais tempo e independentes, retarda défices cognitivos severos, o aumento da dependência e, principalmente, as institucionalizações. O objetivo de todos, enquanto sociedade deverá ser sempre minimizar as perdas cognitivas e funcionais e, acredito que todos nós desejamos isso para o nosso futuro.


Caso pretenda saber mais ou debater este assunto, não hesite em contactar-nos, a nossa terapeuta ocupacional estará disponível para partilhar ideias consigo.


Fonte: Santos, B. P., Amorim, J. S. C., Poltronieri, B. C., & Hamdan, A. C. (2021). Associação entre limitação funcional e deficit cognitivo em pacientes idosos hospitalizados. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2526-8910.ctoAO2101.


Rosa Nunes, Terapeuta Ocupacional NeuroVida Évora


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