"Sendo o processo de envelhecimento uma condição absoluta e natural no ciclo de vida, este não implica necessariamente um declínio da sexualidade ou fazer deste um assunto proibido."

A esperança média de vida tem aumentado cada vez mais nos últimos anos o que faz com que a atenção da ciência e da investigação se concentre cada vez mais no processo de envelhecimento. Este processo ultrapassa a visão simplista de uma divisão etária, envolvendo aspetos relativos à saúde, nomeadamente no que diz respeito às questões da sexualidade, a qual está apontada como variável interferente na qualidade de vida. Nesta perspetiva, a Organização Mundial de Saúde considera indispensável compreender o envelhecimento como um processo natural e essencial na compreensão da saúde humana.
Sendo o processo de envelhecimento uma condição absoluta e natural no ciclo de vida, este não implica necessariamente um declínio da sexualidade ou fazer deste um assunto proibido. No entanto, podem apontar-se uma série de mitos e tabus que inibem e condicionam a vivência da sexualidade na terceira idade, nomeadamente: alterações fisiológicas, crenças religiosas, opressão familiar e aspetos individuais da própria pessoa idosa.
No que diz respeito às mudanças fisiológicas aponta-se a disfunção erétil nos homens e a disfunção sexual nas mulheres como fatores que provocam a redução da líbido sexual e da lubrificação. Em acréscimo, a flacidez, a alteração dos pelos corporais, a perda da dentição bem como determinadas doenças crónicas têm uma influência negativa na manifestação da sexualidade nesta faixa etária.
Do ponto de vista religioso pode existir a tendência para que a sexualidade no idoso seja vista como proibida e acarrete alguns preconceitos tais como a vulgaridade ou a desinibição. Existe ainda uma pressão familiar e social para que o idoso seja visto como alguém passivo, sendo que os mais novos encaram muitas vezes a sexualidade do idoso como algo depreciativo e que pode até ser um indício da presença de um processo de demência.
A viuvez, especialmente na mulher, restringe a vivência da sexualidade, quer por imposição religiosa (uma vez que a família é um alicerce da sociedade global) quer por pressão familiar. Neste último caso a pessoa viúva sente que não tem mais espaço para a vida amorosa, sentindo-se de parte e anulando-se em prol de outras pessoas, quando esta deveria ser encarada como uma oportunidade de vivência de liberdade e autonomia, sem estereótipos ou preconceitos impostos pela sociedade.
Drª Sofia de Matos Silva, Neuropsicóloga NeuroVida Évora
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