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A Terapia Ocupacional e o Processo de Desintoxicação

O consumo de substâncias psicoativas é caraterizado como um problema da Saúde Mental e Social, com alterações significativas ao nível da saúde do consumidor, das suas relações familiares, das expetativas profissionais e de integração na sociedade.



Após o consumo destas substâncias, e quando o consumidor decide parar com esse consumo, é necessário proceder a uma avaliação aprofundada das competências cognitivas do indivíduo (orientação, memória, linguagem, atenção e raciocínio) e da forma como a pessoa pretende planear a sua reabilitação (inserção das rotinas, integração na vida social e laboral). (Schlindwein-Zanini & Sotili, 2019)


Segundo Schlindwein-Zanini e Sotili (2019), a dependência de substâncias psicoativas apresenta como consequência o aparecimento de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos. Esses sintomas afetam inequivocamente o desempenho ocupacional dos indivíduos nas suas ocupações significativas e necessárias (todas as atividades que realizamos no nosso quotidiano).


A Terapia Ocupacional surge na desintoxicação (reabilitação) como forma de restabelecer as ocupações diárias, fomentar as relações interpessoais, promover o desempenho ocupacional no trabalho e nas rotinas diárias que suportam a saúde e criar estratégias de coping. O modelo de delineação/quadro de referência mais utilizado com esta população é o Modelo Cognitivo-Comportamental que funde conhecimentos teóricos sobre a componente cognitiva e comportamental, tal como o próprio nome indica. (Schlindwein-Zanini & Sotili, 2019)


A reabilitação dos indivíduos deve ser personalizada a cada um, consoante a avaliação previamente realizada e tendo em conta a tolerância a período de abstinência por parte da pessoa que se propõe a um programa de desintoxicação. (Schlindwein-Zanini & Sotili, 2019)


Segundo Ribeiro, Mira, Lourenço, Santos e Braúna (2019) (artigo abordado o mês passado), a Terapia Ocupacional destaca-se pela sua proximidade na relação terapêutica com o utente, pelo dinamismo, pela criatividade e pela motivação que é transmitida e trabalhada com a pessoa. Esta área profissional destaca-se pela capacidade de contribuir para a (re)estruturação de rotinas, desempenho de Atividade de Vida Diária (AVD), Atividades de Vida Diária Instrumentais (AVDI), Lazer e Participação Social.


Torna-se importante referir que os processos de desintoxicação estão associados a um período de tempo que exige tolerância, persistência e perseverança por parte do consumidor de substâncias psicoativas. Terá de reconhecer o processo como um momento de ajuda e capacitação. Deverá igualmente confiar na equipa multidisciplinar que o suporta e acreditar no conhecimento técnico que esta mesma equipa detém. Só assim será possível e exequível a realização de um programa de reabilitação/desintoxicação.


Caso este assunto seja do seu interesse e queira saber mais sobre os processos de reabilitação e o papel da Terapia Ocupacional na desintoxicação, partilhamos convosco dois artigos que abordam o assunto de uma forma interessante e com real capacidade de espelhar a intervenção realizada nesta área de intervenção.


Fonte:

- Ribeiro, J., Mira, E., Lourenço, I., Santos, M., & Braúna, M. (2019). Intervenção da Terapia Ocupacional na toxicodependência: estudo de caso na Comunidade Terapêutica Clínica do Outeiro – Portugal. Ciência & Saúde Coletiva, 1585-1596. doi: https://doi.org/10.1590/1413-81232018245.04452019

- Schlindwein-Zanini, R. & Sotili, M. (2019). Uso de Drogas, Repercussões e Intervenções Neuropsicológicas. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, 94-116. Disponível em: http://stat.saudeetransformacao.incubadora.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/5592



Rosa Nunes, Terapeuta Ocupacional NeuroVida Évora


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