A osteoartrite, ou artrose, como é habitualmente conhecida, é uma doença inflamatória crónica, que se evidencia pela degeneração da cartilagem articular. No caso de lesão da cartilagem ou inexistência desta, os ossos sofrem uma fricção direta. Clinicamente, caracteriza-se por dor, rigidez articular, crepitação óssea, deformidade e perda progressiva da função.

A Artrose é a doença reumática mais prevalente entre indivíduos com mais de 65 anos e uma das principais causas de dor crónica e incapacidade.
Os sintomas dolorosos das articulações ocorrem pela insuficiência da cartilagem, ocasionada por um desequilíbrio entre a formação e a destruição dos seus principais elementos, associada a uma variedade de condições como a sobrecarga mecânica, alterações bioquímicas da cartilagem e membrana sinovial e fatores genéticos (Duarte et al., 2013).
O período mais comum para o início do desenvolvimento da doença é entre os 50 e 60 anos. Atinge entre 44% e 70% dos indivíduos acima dos 50 anos de idade e 85% na faixa etária acima dos 75 anos. Representa uma das principais queixas em consulta médica e é responsável por um elevado número de absentismo e reformas por invalidez (Duarte et al., 2013).
A incidência da osteoartrose sintomática aumenta com a idade e com o peso corporal. As articulações do joelho, anca, mão e coluna são as mais afetadas.
Geralmente, a dor descrita pelos indivíduos com artrose é uma dor que piora com o movimento e no final do dia. Porém, num estágio mais avançado da doença, a dor pode ocorrer mesmo em repouso e durante a noite.
Esta condição clínica leva, muitas vezes, a que estes doentes evitem praticar atividade física. No entanto, ao invés do repouso, devem ser encorajados a priorizar o exercício físico. Este é seguro e efetivo na redução da dor e aumento da função, sendo a primeira linha de tratamento para a artrose, juntamente com a educação e aconselhamento do doente e medidas para o controlo de peso, quando necessário (Skou et al., 2018).
Os exercícios terapêuticos constituem o principal recurso utilizado pela Fisioterapia para a reabilitação de indivíduos com artrose. É importante que o tipo de exercício seja adequado e adaptado às condições de cada indivíduo, tendo em conta fatores como a idade, o estado de saúde atual, limitações físicas, entre outros. Por este motivo, o programa de exercícios deve ser realizado sob a orientação de um fisioterapeuta e terá em vista a melhoria da força muscular, a mobilidade articular, o condicionamento físico, a funcionalidade, o aumento da densidade óssea e a diminuição e alívio da dor (Skou et al., 2018).
Exercícios aeróbicos (como caminhada ou natação), alongamentos musculares, exercícios de fortalecimento e resistência muscular e exercícios funcionais (que simulem as atividades da vida diária) são alguns dos exemplos que podem ajudar nos sintomas, nomeadamente no alívio da dor. É importante começar por exercícios mais simples e ir progredindo na sua duração, repetições e carga.
Em suma, um diagnóstico precoce e um tratamento de Fisioterapia adequado são essenciais para permitir um alívio da dor, assim como devolver ao indivíduo uma maior independência nas suas atividades do dia-a-dia e proporcionar-lhe uma melhor qualidade de vida.
Fonte:
- Duarte, V. S., Santos, M. L., Rodrigues, K. A., Ramires, J. B., Arêas, G., Borges, G. F. (2013). Exercícios físicos e osteoartrose: uma revisão sistemática. Fisioter Mov.; 26(1): 193-202. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-51502013000100022
- Skou, S. T., Pedersen, B. K., Abbott, J. H., Patterson, B., Barton, C. (2018). Physical Activity and Exercise Therapy Benefit More Than Just Symptoms and Impairments in People With Hip and Knee Osteoarthritis. Journal of Orthopaedic Sports Physical Therapy; 48(6): 439-447. Disponível em: https://www.jospt.org/doi/10.2519/jospt.2018.7877
Mónica Calha, Fisioterapeuta SH2Me Medicina Integrativa
Siga-nos no Facebook e Instagram para ter acesso a mais informações.
Σχόλια