A bursite é a inflamação da bolsa sinovial, estrutura cheia de líquido, que se localiza entre um tendão e a pele ou entre um tendão e o osso, com função de amortecimento e auxílio no deslizamento dos tecidos e na sua nutrição, evitando o atrito.

A bursite trocantérica é descrita como uma inflamação da bursa trocantérica, uma pequena bolsa gelatinosa localizada entre o tendão do músculo médio glúteo e o grande trocânter (uma grande massa óssea presente na face lateral da anca).
A causa mais frequente associada à bursite trocantérica é o microtrauma repetitivo, causado pelo uso ativo dos músculos que se inserem no grande trocânter, que resulta em mudanças degenerativas dos tendões, dos músculos ou de tecidos fibrosos. Durante a marcha, há um aumento da pressão exercida, predispondo a inflamação, a qual pode ser causada por ações repetitivas como subir escadas carregando objetos pesados ou correr num piso com inclinação acentuada (Moore & Dalley, 2010).
Embora esta condição atinja homens e mulheres, existe um predomínio de ocorrência no sexo feminino. Esta condição está presente com maior frequência em mulheres de meia-idade e que apresentam excesso de peso, sendo a obesidade um fator predisponente à inflamação da bursa, uma vez que promove o aumento da quantidade de pressão sobre a face lateral da anca.
Para além da idade e obesidade, existem outros fatores de risco que são associados ao desenvolvimento desta patologia, entre os quais o esforço repetitivo (causado pela prática de desportos como o atletismo ou ciclismo, subir escadas, correr, ficar de pé ou deambular por longos períodos de tempo), traumas na anca, patologias na coluna lombar, discrepância dos membros inferiores, artrite reumatoide, osteófitos e cirurgia prévia (Silva, 2011).
Este tipo de bursite é caracterizado pela presença de dor lateral na anca, desconforto à palpação, edema localizado e tensão a nível muscular. Há ainda casos em que a dor se estende até à perna e tornozelo, pode ser localizada na região lombar baixa e, em alguns casos, ser acompanhada de parestesia na face lateral da coxa. Por vezes, o paciente pode ainda relatar uma sensação de estalido na anca, com o movimento, e o padrão de marcha pode-se encontrar alterado (Moore & Dalley, 2010).
A dor surge e/ou piora, predominantemente, à noite. O paciente pode ainda queixar-se de agravamento do problema quando se deita sobre o lado afetado, na transição para a posição de pé, sentado com a perna afetada cruzada e em atividades diárias como subir escadas, caminhar, correr ou outras atividades de impacto, podendo comprometer desta forma as suas ocupações (Assad & Maia, 2009).
A grande maioria das pessoas beneficia com a intervenção da fisioterapia, a partir do fortalecimento muscular, trabalho de flexibilidade, treino de coordenação motora e reeducação da postura global, que aliviam sintomas e previnem o reaparecimento.
Mónica Calha, Fisioterapeuta SH2Me Medicina Integrativa
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