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Consequências do peso nas mochilas escolares

A utilização regular de mochilas escolares apresenta uma multiplicidade de riscos no período de crescimento da criança.

O peso das mochilas é uma das principais preocupações de pais e cuidadores, no início de mais um ano letivo. A utilização regular de mochilas escolares, frequentemente pesadas e/ou desajustadas, que comportam os manuais e materiais para todos os dias de aulas, apresenta uma multiplicidade de riscos no período de crescimento da criança.


O peso transportado pelas crianças nas suas mochilas predispõe a um desequilíbrio músculo-esquelético causado pelo deslocamento posterior do centro de massa. No intuito de manter o corpo em equilíbrio, surgem compensações e assimetrias posturais, bem como mudanças na base de apoio.


Quando a carga excede a capacidade de sustentação da musculatura, ocorre sobrecarga na coluna vertebral, podendo levar a alterações posturais, dor ou disfunção.


Desde 1977 que há referência científica em relação à percentagem de peso que uma criança deverá transportar na mochila escolar, a qual não deverá exceder os 10% do peso corporal da mesma, ou seja, o limite máximo aceitável será de 1/8 do peso corporal. Atualmente, em Portugal, é sugerido pela Direção-Geral da Saúde que o peso das mochilas, pastas e similares e o respetivo conteúdo não deve exceder os 10% do peso corporal da criança (Matos et al., 2019).


Desde então, este valor tem sido aceite pela comunidade científica. No entanto, existem alguns estudos que contrapõem esta percentagem, sugerindo outros valores, como por exemplo, 7,4% ou mesmo um intervalo não específico entre os 5 e os 15%, dependendo do género da criança, pois verificaram que cargas inferiores a 10% também ocasionaram alterações significativas na postura da cabeça e no alinhamento postural (Ries et al., 2012).

Acredita-se que não é apropriado sugerir para todas as crianças o mesmo limite de peso da mochila, ou seja, um único limite de peso pode não ser adequado para todos os alunos. Deverá ser considerada a capacidade física da criança, a forma, o tempo e a frequência de transporte da mochila.


Estes autores constataram que, distribuindo o peso igualmente à frente e atrás, requer menos esforço muscular e sugerem o uso de uma mochila escolar dupla. A altura do posicionamento da mochila também deve ser considerada, sendo que a posição do centro da mochila à altura da cintura minimiza o deslocamento postural (Ries et al., 2012).


A evidência da existência de alterações degenerativas da coluna, nomeadamente a escoliose, a hipercifose e a hiperlordose em várias fases do crescimento, alerta para a importância e para a urgência de uma intervenção precoce, com ações junto da comunidade escolar, principalmente no âmbito preventivo.

Fonte:

- Matos, M., Barreiras, C., Festas, C. (2019). Peso máximo da mochila recomendado para crianças (6-12 anos) em contexto escolar: Protocolo de Scoping Review. RPER, 2(2): 49-52. DOI: 10.33194/rper.2019.v2.n2

- Ries, L.G., Martinello, M., Medeiros, M., Cardoso, M., Santos, G.M. (2012). Os efeitos de diferentes pesos de mochila no alinhamento postural de crianças em idade escolar. Motricidade, 8(4): 87-95. DOI: 10.6063/motricidade.8(4).1556


Mónica Calha, Fisioterapeuta SH2Me Medicina Integrativa


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