No passado dia 4 de dezembro, assinalámos o Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla. Mas afinal o que é a Esclerose Múltipla? Como se manifesta? Qual a diferença entre a Esclerose Múltipla e a Esclerose Lateral Amiotrófica? Hoje esclarecemos essas dúvidas colocadas com alguma frequência.

A Esclerose Múltipla e a Esclerose Lateral Amiotrófica são doenças degenerativas distintas, apesar de terem algumas características em comum.
A Esclerose Múltipla (EM) é descrita como sendo uma doença crónica e progressiva, de natureza neurológica, que geralmente afeta jovens adultos, entre a segunda e a quarta décadas de vida, maioritariamente do sexo feminino.
A EM atinge o Sistema Nervoso Central, afetando particularmente a mielina. Esta é uma bainha que rodeia, alimenta, protege e isola eletricamente as extensões dos neurónios (designados axónios), permitindo a rápida transmissão de informação entre eles. O mecanismo da doença assenta num erro do sistema imunitário que leva a que a mielina seja considerada uma ameaça ao organismo e seja atacada. Desta forma, a destruição da mielina leva a que a transmissão do impulso nervoso entre neurónios seja também afetada, o que se traduz no aparecimento das várias manifestações clínicas.
Os sintomas mais comuns são fadiga, fraqueza muscular, espasticidade (sensação de rigidez muscular), alterações sensitivas, alterações na marcha, dor, perturbações ao nível da linguagem e deglutição, problemas na visão, perturbações a nível respiratório, problemas urinários e intestinais, disfunção sexual, dificuldades cognitivas e alterações emocionais. Os sintomas dependem das áreas afetadas do Sistema Nervoso Central, variam ao longo do tempo e podem mudar em termos de gravidade e duração, inclusive na mesma pessoa. O prognóstico em geral é variável e depende do decorrer da doença (Cardoso, 2010).
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa, invariavelmente progressiva e incapacitante. Nesta patologia, os neurónios motores que conduzem a informação do Sistema Nervoso Central aos músculos do nosso corpo, passando pela medula espinhal, morrem precocemente. Como resultado, esses músculos, que nos permitem movimentar, ficam mais fracos.
A ELA surge frequentemente entre os 40 e 75 anos de idade e atinge com maior prevalência o sexo masculino.
Numa primeira fase, na maioria dos casos, os sintomas costumam ser leves e passar despercebidos. A fraqueza muscular é o marco inicial mais comum, ocorrendo em mais de 60% dos pacientes e comprometendo membros superiores e inferiores. Com a evolução da doença, também as musculaturas responsáveis pela fala, deglutição e respiração começam a ser afetadas (Bertazzi et al., 2017).
Para além da fraqueza/atrofia muscular, também sintomas como fadiga, espasticidade, alterações na marcha, na fala e na deglutição são comuns em indivíduos portadores de ELA, à semelhança do que acontece na EM. Pode ainda ocorrer um aumento da produção de saliva, insuficiência respiratória e distúrbios do sono. Na medida em que a ELA afeta predominantemente os neurónios motores, os sentidos da visão, audição, olfato e paladar mantém-se preservados, assim como as capacidades cognitivas.
Embora a ELA seja considerada uma doença de incidência rara, com pouco mais de 1 caso por cada 100 mil habitantes por ano, esta patologia representa um grande impacto pessoal e socioeconómico (Bertazzi et al., 2017).
A terapia farmacológica pretende reduzir sintomas e desacelerar a progressão de ambas as patologias. Também o processo de reabilitação é fundamental, preferencialmente com início numa fase precoce da doença, com o objetivo de melhorar e manter a função e a autonomia do indivíduo.
No que diz respeito à Fisioterapia, é necessário proceder a uma avaliação minuciosa, sendo a intervenção planeada em função das necessidades e capacidades individuais. De forma geral, para ambas as doenças, os principais objetivos são o aumento ou manutenção das amplitudes articulares, a prevenção de deformidades, a diminuição dos padrões espásticos, o aumento da força muscular, a melhoria do equilíbrio e do padrão de marcha e o alívio de sintomas como fadiga e dor.
Se tiver dúvidas ou quiser saber mais sobre uma destas doenças, a equipa NeuroVida Évora dispõe de uma equipa multidisciplinar pronta para o(a) ajudar. Não hesite em contactar-nos!
Mónica Calha, Fisioterapeuta NeuroVida Évora
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