Quando tentamos definir o significado da palavra “emoção” podemos ter alguma dificuldade. Sabemos dizer que se trata de uma resposta do nosso corpo a determinado acontecimento, que não sabemos como controlar, mas que podemos aproveitar da melhor forma possível. A inteligência emocional refere-se, assim, à capacidade de entender a forma como cada um gere as emoções e como as demonstra.

O ser humano é biopsicossocial e, neste sentido há uma série de componentes que formam a inteligência emocional, sendo eles: psicológico, social e biológico. A componente biológica da inteligência emocional reverte-se de extrema importância por muitos motivos, mas principalmente porque as outras duas componentes dependem desta. É precisamente aqui que entra o papel da alimentação saudável e equilibrada.
Se por um lado a inteligência emocional elevada conduz a atitudes mais positivas, melhor autoestima e maior capacidade de adaptação, por outro, baixos níveis desta componente levam a atitudes impulsivas e a uma alimentação desequilibrada. A Psicologia Social refere uma relação positiva entre inteligência emocional e bem-estar psicológico, uma vez que as pessoas com maior capacidade de autocontrolo emocional e comportamental percecionam mais controlo sobre as exigências do meio envolvente e uma autoestima mais elevada. Por este motivo, a situação contrária faz com que o humor negativo, a desregulação emocional, a alteração nas rotinas e a baixa autoestima possam ser as causas do abandono de uma alimentação saudável ou mesmo das perturbações do comportamento alimentar.
A hora da refeição pode ser um ato importante para a socialização e, quando é tomada em conjunto potencia-se uma mastigação mais lenta e pausada e, como tal, existe uma melhor absorção dos nutrientes e, por outro lado, o indivíduo desenvolve sentimentos de descontração diária com este hábito.
Como sempre, o nosso cérebro tem algo a dizer. Este é dividido em dois lados principais: um é responsável pela satisfação e racionalidade, que envia sinais para o outro lado, o qual controla a impulsividade, agressividade e compulsão. Por exemplo, quando não dormimos bem, o cérebro fica insatisfeito, fatigado e, com isso, o lado da impulsividade tem domínio sobre o lado controlado e racional. É por este motivo que o corpo acaba por enviar aferências ao cérebro como sob a forma de pedidos de recompensa imediata, como por exemplo, a ingestão de doces. Para além disso, as hormonas ficam desreguladas o que faz com que a sensação de fome aumente e diminui a sensação de saciedade, levando a que o consumo alimentar aumente simplesmente por querer mastigar algo, por um impulso, e não para nutrir o corpo. Esta situação estende-se a qualquer tomada de decisão que, após uma noite mal dormida, aumenta as hipóteses de ser tomada de forma impulsiva, sem pensar tanto de forma racional e a longo prazo, para além de aumentar os níveis de stress e ansiedade, prejudicando de forma drástica a inteligência emocional.
Drª Sofia de Matos Silva, Neuropsicóloga NeuroVida Évora
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