Desde o nascimento de um bebé, que a sua autonomia começa a ser potenciada, sendo os adultos cuidadores os principais modelos para as aprendizagens que a criança irá fazer. É de extrema importância o meio social e emocional onde a criança está inserida, pois o desenvolvimento socioemocional é reflexo desses mesmos contextos.

Segundo Cohen, Onunaku, Clothier e Poppe (2005), o desenvolvimento socioemocional é descrito pelas experiências que a criança terá durante a aquisição das suas capacidades de expressão e gestão das emoções e, também, da sua capacidade de estabelecer relações positivas e gratificantes com os outros.
Tendo em conta o descrito anteriormente, “o desenvolvimento emocional inclui a capacidade de identificar e compreender os seus próprios sentimentos, compreender estados emocionais nos outros, gerir as suas emoções e a expressão dessas emoções de uma forma construtiva, para que seja possível regular o próprio comportamento e desenvolver empatia pelos outros, com o objetivo de estabelecer e manter relacionamentos”. (Serrano, 2018, p. 70)
Os bebés, desde muito cedo, começam a experienciar, expressar e perceber emoções. O desenvolvimento emocional dos bebés é mais saudável quanto o meio que os rodeia, ou seja, quanto mais o contexto for seguro, tranquilo, carinhoso e com relacionamentos positivos entre os membros que fazem parte do núcleo da criança, mais o desenvolvimento emocional da mesma será saudável. Este contexto estará presente diariamente no desempenho de todas as ocupações que são desenvolvidas com a criança, em todas as rotinas. Para além desde contexto ser um contexto facilitador de aquisições, promove a criação de um ciclo previsível durante os momentos da higiene, alimentação e brincadeira. Todas as crianças são sensíveis a mudanças no contexto, logo se perceber alterações no comportamento emocional do seu filho, é provável que tenha existido também mudanças no contexto que o envolvem.
Através da criação destes ciclos previsíveis/momentos que são facilmente antecipados pela criança, dá-se a promoção da autonomia. Cada vez que o bebé chora por desconforto, com a fralda suja, ele começa a ficar mais tranquilo com a resposta dos adultos à sua volta quando começa a perceber que o estão a despir para trocar a fralda, que o pai ou a mãe foram buscar a fralda limpa para o trocar. O mesmo se passa, por exemplo, com a alimentação (sistema mais precoce de regulação emocional). A criança começa a chorar porque tem sensação de fome, no entanto, rapidamente, se acalma quando percebe que os preparativos para a refeição estão a ser realizados pelos adultos cuidadores (sentar na cadeira de alimentação, colocar o babete, entre outros). Como é uma atividade rotineira (realizada todos os dias), a criança consegue antecipar os momentos que vão ocorrer depois. É essencial que esta segurança que é dada com a antecipação seja mantida o mais possível para que não traga perceções erradas à criança. Se prepara o momento da refeição, não convém, sistematicamente, quebrar a rotina criada (preparo o momento da alimentação, mas o telemóvel tocou e ficou 10 minutos em chamada – acabo por confundir a criança, ela está à espera de uma resposta porque eu faço sempre a atividade de uma certa forma, com uma certa sequência; é normal a criança ficar, ainda, mais irritada do que o normal por situações como esta acontecerem, pois para além de não estar a satisfazer uma necessidade básica da criança naquele momento, também estou a confundir emocionalmente a mesma).
Um cuidador deverá dar suporte e responder adequadamente ao bebé, ajudando-o a desenvolver um sentimento de previsibilidade, segurança e capacidade de resposta no seu ambiente social porque começa a regular as suas emoções a partir daí. As primeiras relações são muito importantes para o desenvolvimento dos bebés e constituem uma aprendizagem para construir relações saudáveis, estáveis e consistentes sendo estas a chave para o crescimento, desenvolvimento e aprendizagem.
O desenvolvimento emocional da criança depende da sua interação com os adultos e com crianças, do autoconceito na relação com o outro, do reconhecimento das suas capacidades, da sua capacidade de expressão das emoções, da empatia, do controlo dos impulsos e da compreensão social.
O bebé constrói as suas relações iniciais com o adulto sendo a relação reforçada pela garantia de segurança, pelo alívio das situações de desconforto, pela ajuda regular e pelo incentivo e aprovação social. (Serrano, 2018)
É importante ter a consciência que este desenvolvimento emocional influência outras áreas de desenvolvimento da criança e que todas elas se interrelacionam. Para promover a autonomia no bebé, procure dar-lhe este meio facilitador do ponto de vista emocional.
Deixamos convosco algumas dicas até aos 3 anos de idade sobre o desenvolvimento emocional esperado para algumas faixas etárias. Relembramos sempre que cada criança terá o seu ritmo de desenvolvimento, acabando estas indicações por dar aos cuidadores uma informação do esperado, em média.
- Até aos 8 meses de idade, os bebés envolvem-se propositadamente em interações recíprocas e tentam influenciar o comportamento dos outros. As crianças podem estar interessadas em explorar o contexto e receosas de adultos desconhecidos; (Serrano, 2018)
- Entre os 9 e os 18 meses de idade, os bebés aprendem a participar em rotinas e jogos que envolvem interações complexas com o adulto. Os bebés podem também procurar segurança junto do cuidador quando se sentem inseguras em relação a algo ou alguém; (Serrano, 2018)
- Entre os 19 e os 36 meses de idade, as crianças aprendem a interagir com adultos para resolver problemas ou comunicar sobre experiências ou ideias. (Serrano, 2018)
Rosa Nunes, Terapeuta Ocupacional NeuroVida Évora
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