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O fenótipo de fragilidade


O envelhecimento populacional é um fenómeno mundial. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a população global de idosos com 60 anos ou mais era de 600 milhões em 2000, sendo que em 2050, é expectável que aumente para cerca de 2 biliões.



Com o envelhecimento da população, o número de idosos frágeis aumenta rapidamente, o que conduzirá a um impacto substancial nos sistemas económicos, sociais e de saúde. A partir de dados do Cardiovascular Health Study, estimou-se que, numa população com idade superior a 65 anos, 6,3% dos idosos tinham fenótipo de fragilidade.


Mas o que é a fragilidade?


A fragilidade é definida como um estado clínico de vulnerabilidade, causada pela desregulação de múltiplos sistemas fisiológicos, em que estão envolvidos vários fatores físicos, cognitivos, psicológicos e sociais, que geram alterações diferenciadas no processo normal de envelhecimento (Eyigor et al., 2015).


Os idosos frágeis encontram-se expostos a um elevado risco de eventos adversos à saúde, como incapacidade, quedas, dependência, institucionalização, agravamento do quadro de doenças crónicas, hospitalização e morte, repercutindo num impacto na vida dos idosos, cuidadores e toda a sociedade (Palmer et al., 2017).


A idade é, de facto, o maior fator de risco para a fragilidade e a prevalência é geralmente maior no sexo feminino.


Para transferir o conceito teórico de fragilidade para a prática clínica, foi proposto, pela primeira vez, por Fried e colaboradores, e validado no Cardiovascular Health Study, um fenótipo de fragilidade, em que três ou mais dos seguintes critérios estão presentes:

- Perda de peso não intencional;

- Fadiga auto-referida;

- Diminuição da força de preensão palmar;

- Baixo nível de atividade física;

- Diminuição da velocidade de marcha.


Segundo estes critérios, os idosos são classificados como frágeis, quando apresentam pelo menos três dos componentes citados, pré-frágeis quando apresentam um ou dois (indicativos de alto risco de desenvolver a síndrome) e, por último, não frágeis quando não apresentam qualquer uma dessas características (Eyigor et al., 2015; Cesari et al., 2014).


O fenótipo de fragilidade será resultado de um ciclo, o qual descreve um processo de perda energética, que inclui perda de massa e força muscular, uma diminuição da taxa metabólica, um consequente declínio do gasto energético e da mobilidade. O início do ciclo da fragilidade consiste na acumulação dos efeitos da falta de exercício físico, nutrição inadequada, estados patológicos, imobilidade, lesões e medicação, que podem acelerar este processo (Palmer et al., 2017).


As condições crónicas tendem a manifestar-se de forma simultânea e com maior expressão nos idosos, podendo comprometer de forma significativa a qualidade de vida. É nesta perspetiva que podemos considerar a fragilidade uma condição instável e incapacitante, que afeta o desempenho das atividades da vida diária (AVD), levando a um declínio funcional e à consequente perda de autonomia.


O estado de fragilidade de um indivíduo é reversível, especialmente quando diagnosticado no início do processo. No entanto, a sua prevenção deve ser considerada a primeira linha de defesa. A partir da literatura publicada atualmente, a estratégia de prevenção deve ter por base a prática de atividade física e uma dieta adequada com ingestão suficiente de proteínas e vitamina D. A intervenção por parte da fisioterapia, nomeadamente a prescrição cuidada de exercício, tem apresentado também resultados significativos (Eyigor et al., 2015).


Mónica Calha, Fisioterapeuta SH2Me Medicina Integrativa


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A Equipa SH2Me.


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