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O futuro da saúde mental das nossas crianças e jovens

A saúde mental é um tema cada vez mais debatido e a merecer uma atenção crescente por parte da comunidade científica.


Se por um lado, se verificam algumas lacunas na população adulta, que começam logo nas questões da Lei de Bases da Saúde Mental, nas crianças e adolescentes este ainda é um assunto com muito por compreender.


Sabe-se que o contexto em que a criança nasce e se desenvolve está estritamente relacionado com a saúde mental da mesma. De facto fatores como a pobreza, condições habitacionais precárias, má alimentação, vestuário, educação e ambiente escolar, entre outros tantos fatores, podem de alguma forma contribuir para a situação de carência e privação que se pode manifestar sobre a forma de um desajuste emocional que pode estender-se ao desenvolvimento de patologia.


Não obstante esta situação, certo é que a saúde mental das crianças e jovens é ainda bastante negligenciada e nem mesmo a crescente investigação tem conseguido mitigar este facto. Se por um lado a estruturação familiar e o ambiente escolar podem ajudar a clarificar este fenómeno certo é que as crianças e adolescentes do futuro passarão por desafios muito diferentes daqueles enfrentados pelos seus antepassados. Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, estes desafios passam por: inclusão social e cidadania participativa, desenvolvimento de competências de adaptação e mobilidade, desenvolvimento de um espírito criativo e empreendedor e, desenvolvimento da criatividade e do pensamento crítico. Estas “pressões” podem contribuir para o desequilíbrio e consequente perda da saúde mental nas crianças e jovens. Especificamente nesta faixa etária, a promoção da saúde mental passa por reduzir os fatores prejudiciais ao bem-estar mental (ex: bullying ou exclusão social) e deve passar por 3 grandes pilares: competências individuais, Contexto comunitário e eliminação de barreiras sociais.


As crianças e jovens dos dias de hoje utilizam cada vez mais as novas tecnologias, não só como atividades de lazer mas também no seu contexto educativo. Estas são mesmo parte integral da sua vida e, a própria sociedade exerce, ainda que indiretamente uma pressão neste sentido. Na verdade, a preocupação dos pais e professores é se as novas tecnologias podem afetar o desenvolvimento cognitivo e o sucesso académico. A resposta a esta questão depende da idade da criança, sendo uma relação mais direta com o aumento da idade. Se por um lado o uso das tecnologias nos tempos livres pode ter benefícios na aprendizagem, por outro, o seu uso nas escolas não tem necessariamente melhores resultados do que as metodologias de ensino mais tradicionais, uma vez que os resultados dependem do uso que os professores lhes dão e da forma como se sentem confortáveis com a sua utilização.


O próprio comportamento pode ser influenciado pelas tecnologias, sobre a forma de fatores de risco ou sobre a forma de fator protetor. A agressividade presente nos jogos bem como os comportamentos de risco das personagens da série favorita são moduladores do comportamento do adolescente, constituindo um passo potencial para o desenvolvimento de problema relacionados com a saúde mental. Por outro lado, o uso das tecnologias para a participação em campanhas de cariz social podem desenvolver a capacidade de aceitação, tolerância e, sobretudo, podem contribuir para a manutenção do bem-estar mental.



Drª Sofia de Matos Silva, Neuropsicóloga NeuroVida Évora


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