"Uma das principais consequências da Artrite Reumatóide são os efeitos adversos a nível de trabalho e vida social, relacionados com a gravidade e a evolução da própria doença."

A artrite reumatóide (AR) é uma doença crónica, inflamatória, auto-imune que se caracteriza pela inflamação das articulações e que pode conduzir à destruição do tecido articular e periarticular. Existe também uma ampla variedade de alterações extra-articulares. Não tem cura, mas se for tratada de forma eficaz tem um bom pronóstico vital e funcional. A presença de artrite (inflamação nas articulações) é uma das características principais da doença, que por sua vez causa edema, dor nas articulações, rigidez e por vezes uma sensação de prisão nos movimentos, principalmente ao início da manhã ou depois de um período de repouso.
Uma das principais consequências são os efeitos adversos a nível de trabalho e vida social, relacionados com a gravidade e a evolução da própria doença. Por sua vez isso vai afetar a funcionalidade e devido à mobilidade restringida vai ter impacto na realização das atividades de vida diária (AVD).
O tratamento dos doentes deve ser a combinação de tratamento farmacológico e não farmacológico, como é o caso da terapia ocupacional. Com estes tratamentos pretende-se, não só, retardar o aparecimento de novos sintomas e aliviar os sintomas já existentes como diminuir o impacto dos mesmos na funcionalidade.
No que diz respeito às pessoas com AR o papel do terapeuta ocupacional será manter ou aumentar a capacidade de realização de ocupações significativas, aumentar ou manter a mobilidade articular e/ou força muscular, minimizar os efeitos das deformidades que possam existir, e ainda, quando existirem dificuldades na realização das AVD facultará estratégias e adaptações para a realização das mesmas.
O primeiro passo para a intervenção do terapeuta ocupacional é avaliar o impacto da doença sobre as AVD, quais as suas maiores dificuldades e identificar quais as suas prioridades e as tarefas que são relevantes para o seu dia-a-dia. Em 2006 foi realizado um estudo para avaliar a eficácia da intervenção da terapia ocupacional na funcionalidade manual de pessoas com AR e foi observada uma melhoria significativa na funcionalidade das mãos e um melhor desempenho em atividades como a alimentação, vestir e despir, cuidados e higiene pessoal (Rapoliene & Krisciūnas, 2006).
A funcionalidade das pessoas com AR encontra-se reduzida devido à mobilidade restrita, a dificuldade na realização das tarefas do dia-a-dia como o autocuidado e manutenção da casa bem como tarefas laborais complexas, quando aplicável. Tais restrições influenciam não apenas a realização de atividades de modo independente e autónomo, mas apresentam impacto negativo sobre o estado emocional, as relações sociais e a qualidade de vida. (Almeida, P; Matheus, J.; Mota, l.; Muniz, L. e Pontes, T., 2014)
Um dos focos importantes das intervenções é a adaptação da realização das AVD, isto é, encontrar estratégias para a realização das mesmas e que funcionem para a pessoa com AR, por vezes trata-se de mudanças simples como o posicionamento da própria pessoa, no que diz respeito a tarefas do lar a substituição de utensílios por outros com menos peso, e, quando não é possível adaptar os já existentes, não utilizar uma única mão para pegar nos objetos, adequar a preensão manual de forma a garantir um melhor posicionamento articular. Com estas estratégias pretende-se não só cuidar das articulações, mas também reduzir a tensão e dor e posteriormente a inflamação.
O terapeuta ocupacional tem como principal objetivo contribuir para a manutenção e/ou aumento da funcionalidade e contribuir para a autonomia e independência na realização das AVD, mas devido ao caracter da AR é importante um acompanhamento multidisciplinar uma vez que a doença tem impacto em diversos aspetos.
Almeida, P; Matheus, J.; Mota, l.; Muniz, L. e Pontes, T. Terapia ocupacional na artrite reumatóide: o que o reumatologista precisa saber? 2014
Bianchin, Maysa A; Paula, Grasiella A da Silva; Carvalho, Mariana Penaquio; Acayaba, Roberto; Chueire, Regina. Manual de orientações de terapia ocupacional quanto à proteção articular para pacientes com artrite reumatóide. 2010
Rapoliene J, Krisciūnas A. The effectiveness of occupational therapy in restoring the functional state of hands in rheumatoid arthritis patients. Medicina (Kaunas). 2006;42(10):823-8. PMID: 17090982.
Inês Loupas, Terapeuta Ocupacional NeuroVida Évora
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